O que é o Self-Publishing?

Perguntam-me constantemente porque decidi ser eu mesmo a publicar os meus livros. Afirmam que certamente algumas editoras iriam pegar neles para os fazer chegar a mais pessoas…

Escolhi o self-publishing porque EU sou o autor e só EU sei como o meu texto deve:

  • ser impresso: é importante como a impressão é feita, a informação visual, a fonte, as margens, os separadores visuais… tudo para mim tem de fazer sentido e comunicar com o leitor mais atento. Esta é uma das áreas definida quase integralmente pela editora.
  • estar disposto: a disposição dos capítulos, a forma como divido os momentos de tempo, de pausa, de flashback ou de flashforward, os elementos literários e visuais; todos são forma de comunicação e demonstram o estilo do autor e permitem que a sua arte saia tal qual ele pretende. Esta é uma das áreas que algumas editoras exigem alterações.
  • estar escrito: jamais alteraria uma vírgula no meu texto só porque um editor acha melhor ou mais correcto. Escrevo em português e tenho um estilo meu que altera ao longo das narrativas para se adequar às situações e além disso jamais editaria um livro assassinado por um suposto Acordo Ortográfico que eu não assinei. Escrevo orgulhosamente em português de Portugal e em total DESACORDO ortográfico.
  • chegar ao leitor: é certo que uma editora faria uma distribuição alrgada em livrarias, em FNACS, em websites… mas seria mais um livro misturado com os milhares que ali estão. Acredito que desta forma o livro chegará a quem me quer ouvir, a quem me quer ler e a quem precisa de conhecer as minhas histórias… nem mais, nem menos!
  • ter um determinado design: eu faço o design, eu desenho as capas, eu determino os cabeçalhos e os elementos visuais. Todos são importantes comunicadores e têm de estar inteiramente de acordo com a arte e não ser uma das mil capas ou ilustrações insípidas impostas pelo designer da editora.

O que é?

Tal como a expressão inglesa sugere, self-publishing, ou, em português, auto-edição, consiste na publicação de conteúdos originais, seja por que meio for, pelos seus próprios autores, em vez de recorrerem a editoras ou organismos estabelecidos tradicionalmente.

Se bem que, desde sempre, tenham coexistido estes dois sistemas de publicação, recentemente, a proliferação das tecnologias da edição electrónica, da impressão digital a pedido e da Internet, associadas ao desenvolvimento de movimentos culturais, tais como o  DIY ou “faça você mesmo”, ou a participação em blogs, potenciou extraordinariamente o crescimento deste processo editorial.

O que muda?

Está ainda na memória de muitos autores o processo burocrático, e muitas vezes tirano, de conseguir ver o seu livro impresso sobre a chancela de uma editora. Os manuscritos tinham de ser enviados e analisados e uma pequena percentagem era seleccionada pela editora. As ponderações das decisões estavam  sobre o total controlo dos analistas: qualidade, conteúdo, correcção, adequabilidade, intensidade, etc. Tudo era pesado e, se fosse de alguma forma escolhido, o autor iria receber uma série de imposições que determinavam o sucesso do contrato de publicação que iam desde os aspectos negocial e comercial, alterações de conteúdo, definição do design, etc.

Se o autor não concordasse restava-lhe publicar ele mesmo o livro. Tradicionalmente, um autor que quisesse publicar um livro teria que, para além de gerir as questões administrativas da edição, encomendar a uma gráfica uma tiragem mínima da sua obra, geralmente de umas largas centenas de exemplares e tratar directamente da sua comercialização. Em contrapartida, o autor beneficiava, assim, da totalidade da margem comercial dos livros, controlava o seu preço venda e os canais de distribuição, mas assumia o risco das eventuais sobras da edição.

Geralmente, um autor decide-se pela auto-edição quando não conseguiu encontrar uma editora que se disponibilize a publicar a sua obra e optou por assumir os riscos económicos da sua edição. São inúmeros os casos do género e muitos mais serão os que terão ficado por publicar, por os autores não arriscarem ou não poderem custear a sua publicação. O teor das obras auto-editadas é de todos os tipos, ficcionais ou não, desde genealogias a autobiografias, ensaios científicos, colectâneas de poesia ou contos, memórias de experiências pessoais, teses académicas, etc., etc.

Estas publicações obtêm, regra geral, audiências selectivas ou restritas, razão por que podem gerar poucas vendas e, por isso, implicar riscos económicos relevantes para os respectivos editores, quando publicadas por processos tradicionais.

O advento e a expansão das novas tecnologias de print-on-demand (PoD) e da Internet vieram facilitar em muito o self-publishing.

Em primeiro lugar, por tornarem o processo de publicação muito mais económico e quase isento de risco (cf. print-on-demand) e, por outro, pela exposição universal e sem custo significativo das obras publicadas, conseguida através da Web. Gerou-se, assim, um novo mundo de possibilidades ilimitadas para os “autores autónomos” publicarem e venderem os seus livros.

Acresce ainda a facilidade, que estas tecnologias também proporcionam, de se poderem republicar ou reeditar obras antes editadas, porventura já esgotadas, que, de outra forma, não voltariam a ter qualquer oportunidade de serem adquiridas, “ressuscitando-as” assim e, mais uma vez, sem qualquer risco económico.

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